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Platão: Música e Ginástica

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Não se deve confiar em um homem que não tenha música na alma, porque seu espírito é atrofiado, suas paixões desequilibradas, e sua noção do certo e do errado, sempre errado.

A música é para a alma o que a ginástica é para o corpo.

Platão

A Origem do Belo

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A Origem do Belo

Antes que quaisquer outras considerações, o belo dura sempre, não surge nem perece, não aumenta nem diminui, não é belo aqui e feio acolá, não conhece sim e não sucessivos, não é belo em relação a isso e feio em relação a aquilo, nem belo aqui e feio ali, nem belo para uns e feio para outros. Não imaginará o belo dotado de rosto, movendo mãos ou pés, não o representará corpóreo. O belo não lhe aparecerá falante ou pensante, nem pretenderá que o belo se mostre em algo: um vivente terrestre ou celeste, outro ser qualquer. O belo se revelará em si mesmo, por si mesmo, sempre uniforme, ao passo que todos os corpos belos participam dele de tal maneira que nascimentos e mortes nada lhe aumentam nem diminuem, em nada o afetam.

Tome-se como ponto de partida o que aqui é belo, não se perca de vista aquele belo, fonte de todos os corpos belos. Suba-se como por degraus, de um só a dois e de dois a todos os corpos belos e dos belos corpos aos belos ofícios e dos ofícios aos belos saberes e dos saberes até findar naquele saber que não é outro senão o saber daquele belo, sabendo, por fim, o que é belo em si. Nesse estágio da existência, meu caro Sócrates, mais do que em outro qualquer, a vida merece ser vivida, quando se contempla o belo em si mesmo. Se um dia tiveres a sorte de vê-lo, perceberás que nada parecerá comparável a ele, nem ouro, nem vestimenta, nem delicadinhos, nem amiguinhos. Eles te inflamam agora. É só uma bonequinha dessas cair nos olhos, nos teus ou de outros, e o incêndio estala.

Raciocinemos! O que aconteceria se algum de vocês pudesse ver o próprio belo: íntegro, puro, sem mistura, em lugar de belezas contaminadas de carne humana, de cores, de outras bobagens perecíveis? Não gostarias, se pudesses, de ver o belo em si, divino, único? Dirigir o olhar ao belo, contemplá-lo e estar com o que importa; pensas que isso seria viver miseravelmente? Não te parece que só quem tiver chegado lá, vendo o belo como convém, poderá produzir não simulacros de virtude – pois não é em sombras que estará tocando -, e sim virtudes autênticas, visto que o tocado é a própria verdade? Ora, a divindade preza os que geram e cultivam a verdade. Se convém que alguém se torne imortal, é esse.

Diálogo entre Diotima (sacerdotisa de Mantineia) e Sócrates.

Livro “O Banquete”, de Platão.

 

O mito do nascimento de Eros

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O mito do nascimento de Eros

Afrodite, Eros e Pan

- Para festejar o nascimento de Afrodite, os deuses deram uma festa. Entre os convivas encontrava-se Poros (Caminho), filho de Mêtis e a Sabedoria. Findo o banquete, apareceu uma mendiga Pênia (Penúria). Em busca de restos, aguardava à porta. Pórus, ébrio de néctar, entrou no jardim de Zeus e, chumbado, adormeceu. Penúria, em seu descaminho, desejando gerar um filho de Caminho, deitou-se ao seu lado e concebeu Eros. O motivo de Eros tornar-se o companheiro e serviçal de Afrodite foi esse, ter sido engendrado durante os festejos natalícios dela; erasta do Belo, porque Afrodite é bela. Filho de Penúria e Caminho, a origem determinou-lhe a sorte. Antes de mais nada, vive sempre na penúria, extremamente carente de suavidade e beleza. Contra o que supõe a maioria, Eros é rude, seco. Descalço e sem teto, dorme no chão, ao relento. Por ter herdado a natureza da mãe, perambula às portas, perdido nas ruas, inquilino da miséria. Em compensação, a natureza do pai conferiu-lhe ardor por coisas belas e boas: coragem, decisão, energia. Caçador assombroso, tece artimanhas, pensa apaixonadamente, soluciona, filosofa a vida toda, é hábil em sortilégios, em drogas, em arrazoados capciosos. Não sendo de natureza mortal nem imortal, floresce, vive no próspero, morre e revive num mesmo dia, graças a natureza do pai. Escapa-lhe, entretanto, sem demora, o que alcança, da sorte de Eros jamais empobrece nem enriquece. Ocupa o lugar entre o saber e a ignorância. Assim é. Deus algum filosofa, ou deseja tornar-se sábio, pois já é. Da mesma forma, qualquer outro, se é sábio, não filosofa. Tão pouco filosofam os ignorantes, nem desejam ser sábios. O que irrita na ignorância é precisamente isto: há pessoas que não são distintas nem sensatas, e declaram-se satisfeitas. Ora, quem ignora que lhe falta algo, não sente necessidade de nada.

- Quem filosofa então, Diotima, se sábios e ignorantes não filosofam?

- Filosofa quem se encontra entre estes dois extremos, Eros é um deles. No território das coisas mais belas esta o saber. Eros é desejo voltado ao belo. Já que o filósofo ocupa um lugar entre o saber e a ignorância, é imprescindível que Eros seja filósofo. Sendo filho de um pai sábio e inventivo e de uma mãe não sábia e limitada, a origem determinou essa situação. A natureza deste dêmon, meu caro Sócrates, é essa.

Diálogo entre Diotima (sacerdotisa de Mantineia) e Sócrates.

Livro “O Banquete”, de Platão.

DHAMMAPADA Capítulo XVII – A Raiva

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DHAMMAPADA – Capítulo XVII: A Raiva

Todo homem deve libertar-se da raiva, do orgulho e de todo apego, porque a dor não domina aquele que controla sua mente, seu corpo e suas emoções.

Aquele que retém a raiva como se levasse uma quadriga é chamado de bom condutor. Agir de outro modo é limitar-se a apenas segurar as rédeas.

Através do amor conquistarás o homem enfurecido. Através da bondade conquistarás o malvado. Através da generosidade conquistarás o avaro. Através da verdade conquistarás o mentiroso.

Todo homem deve dizer a verdade. Nenhum homem deve deixar-se levar pela raiva. Devemos dar se nos é pedido, mesmo que seja pouco. Cumprindo essas três coisas nos tornamos merecedores de sermos apresentados aos deuses.

O sábio pacífico que sabe controlar seu corpo alcança um estado livre da morte e livre de todo sofrimento.

Não há impurezas naqueles que sempre permanecem vigilantes, nos que mantém disciplina noite e dia e nos que se esforçam totalmente em atingir o Nirvana.

Sempre foi assim, Atula (demônio): Aquele que permanece em silêncio, aquele que fala muito e aquele que fala com moderação, são todos culpados. Ninguém no mundo se livra de ser culpado.

Nunca houve nem nunca haverá ninguém neste mundo que possa abster-se de condenar ou de elogiar.

A sabedoria brota daquele que examina a si mesmo a cada dia, daquele de vida impecável, do inteligente, daquele que se veste de conhecimento e virtude.

Por acaso um homem que é tal peça de refinado ouro pode ser condenado? Tal homem é elogiado pelos deuses e por Brahma.

A má conduta do corpo deve ser contida, pois abandonando a má conduta do corpo alimentamos nossa boa conduta. Os sábios contém suas ações, suas palavras e seus pensamentos, e essa contenção os torna sábios.

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Reformulando a Mente

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Reformulando a Mente

Pergunta: Swamiji, quais são algumas maneiras de reformular uma mente que faz juízos [negativos] de valor e de crítica, uma mente à qual você tem se referido como a mente de um “revisor ortográfico”?

O problema aqui é que todo mundo quer agir numa situação já controlada. Nós queremos ter cada situação sob controle, para que seja mais fácil agirmos. Controlar uma situação significa fazer com que as coisas sejam previsíveis e só assim, então, é que sentiremos que poderemos administrá-las. Se acharmos que não temos o controle, não poderemos agir e então entramos em pânico. Isto é um problema para muitas pessoas.

Para essas pessoas, cada situação tem que ser editada e controlada, até mesmo o amor. E uma vez que o controle se foi, elas não podem mais administrar a situação. Quando seus planos não dão certo, entram em pânico porque não sabem como administrar a situação sem ter algum tipo de estrutura. Isto ocorre devido a um problema de infância e faz com que as pessoas lidem com todos de uma forma crítica.

Quando julgamos as pessoas é bem mais fácil lidar com elas, conforme diz o ditado: “Chame um homem de cachorro e então chute-o”, pois, nós administramos as situações a partir do ponto de vista daquele que julga.

Nós podemos sempre nos referir a um julgamento, mas se nós não julgarmos as pessoas, lidar com elas se torna muito difícil, porque continuamos expostos numa situação que nos faz sentir muito vulneráveis e, portanto, desconfortáveis.

Pelo fato de nós querermos sempre estarmos muito certos, nós julgamos as pessoas, categorizamos e rotulamos, pois assim fica mais fácil de lidar com elas.

Em situações do cotidiano, temos às vezes que fazer isso; mas fundamentalmente, se nós julgarmos as pessoas só negativamente e assim as rotularmos, temos um problema. Então, uma pessoa intrinsecamente crítica é aquela pessoa que não está muito certa sobre como lidar com as pessoas como são e acha isso muito difícil de fazê-lo.

Aqueles que são críticos, são também muito críticos sobre si mesmos e por isso julgam os outros e depois agem em conformidade. Eles costumam preencher suas próprias projeções e, em seguida, projetam as suas opiniões e os seus julgamentos sobre os outros.

As pessoas que julgam os outros estão sempre muito certas de que estão corretas, o que é um outro problema, pois não irão mais rever as suas opiniões. Então, elas se apaixonam por seus próprios julgamentos, por assim dizer e, portanto, não querem revê-los, pois somente dessa forma é que elas se sentem seguras.

Aqueles que revisam as suas decisões não são julgadoras/críticas, realmente falando. Em determinadas situações onde você tem que fazer algo, você age, mas você não julga a pessoa para sempre e isto significa que você está aberto. Para as pessoas que são julgadoras/críticas, esta abertura é a vulnerabilidade e então elas continuam julgando.

Criticar os outros é um problema causado por algum tipo de ciúme, algum tipo de intolerância e o problema todo é baseado em uma determinada maneira de olhar para si mesmo. Se eu sou muito inseguro comigo mesmo, então eu sempre procuro situações seguras lá fora, em algumas estruturas em que eu posso agir. Criticar os outros contribui, então, para elevar a baixa auto-estima.

Como eu faço para corrigir este problema ao olhar para a minha auto-estima? Por que eu tenho essa baixa auto-estima? O que é isso que eu não tenho? Assim, nós temos que realizar uma investigação sobre a auto-estima em si e ao invés de tentar melhorar a auto-estima, nós nos perguntamos: “O que é essa baixa auto-estima?”

Há certas coisas que, evidentemente, ajudarão a desenvolver a auto-estima, mas primeiro temos que questionar a baixa auto-estima, “o que é estima e em que base eu me estimo?” Após esta análise, a baixa auto-estima vai simplesmente cair.

Portanto, essa análise deve ser feita constantemente e nós também podemos começar a transmitir o benefício da dúvida para a outra pessoa e permitir que essa pessoa seja o que ele ou ela é. Uma pessoa é uma pessoa dinâmica e, portanto, pode sempre mudar. Além disso, nossa percepção pode estar errada o que, na maioria das vezes, é a nossa própria projeção.

Nós simplesmente projetamos e julgamos sob o nosso próprio ponto de vista, pois nós temos idéias definidas sobre o que é certo e errado e isso nós projetamos sobre as outras pessoas.

Se nós compreendermos essas coisas, temos uma certa base sobre como lidar com as pessoas como elas são. Sabemos que as pessoas não são sempre as mesmas, pois estão continuamente mudando e se nós estivermos prontos para surpresas, então nós não seremos surpreendidos e nem mesmo ficaremos desapontados.

A mente revisora é aquela que está sempre tentando encontrar algum defeito na outra pessoa e isto é o que se entende por crítica. Uma pessoa pode ter algumas virtudes, mas quem critica sempre tenta encontrar os seus defeitos. Na verdade, quem critica acha apenas os defeitos.

Para corrigir isso, deveríamos olhar apenas para as virtudes e então qualquer crítica que apareça é mais equilibrada. Destarte, não há qualquer necessidade que seja para criticar, pois a crítica nada mais é do que a intolerância decorrente de nossos próprios problemas.

Om tat sat!

Satsang com Swami Dayananda Saraswati

Realizado em 24 de Dezembro de 2011 no Arsha Vidya Gurukulam em Saylorsburg, Pennsylvania, EEUU.

Veda, Vedanta e Upanishad

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Veda, Vedanta e Upanishad

O Veda é um corpo de conhecimento proferido de uma geração para outra. Ele não tem autoria, uma vez que não foi dada autoria a qualquer indivíduo. É um corpo de conhecimento que foi revelado aos antigos sábios que, por sua vez, foi entregue para a próxima geração, que o entregou para a próxima e assim por diante, até ao nosso tempo.

Esta linhagem é chamada karna-paramparā em sânscrito, significa “de orelha a orelha.” O conhecimento é ouvido através de um par de orelhas e por ter sido preservado é passado para outro par de orelhas e desta forma, todo o Veda é mantido intacto.

 O Veda é dividido em quatro volumes: Ṛg, Yajur, Sama e Atharva. Estes quatro Vedas são novamente divididos em duas partes, separadas por assunto. A primeira parte de cada um dos Vedas é chamada de karma kaṇḍa. A última parte é chamada jñāna-kaṇḍa.

Karma-kanda é a seção que trata de rituais e orações, enquanto o jñāna-kaṇḍa lida apenas com realidades – a natureza do eu, o mundo e Deus; como esses três estão interligados e se existe uma diferença entre eles ou não. Este conhecimento das realidades liberta a pessoa porque a visão védica é que você é a totalidade e não há diferença alguma entre você, o mundo e Deus.

O ensino é geralmente na forma de um diálogo entre professor e aluno. Um diálogo particular, ou vários diálogos juntos, compõem uma Upanishad. Portanto, Vedānta é também conhecido como Upanishad, que forma o corpo de conhecimento e que é a solução para o problema humano fundamental.

Swami Dayananda Saraswati

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Rios, leais aos seus leitos, orientados à leste

Lambem minerais, polindo pedras ancestrais

Tramam arquiteturas de curvas sensuais, saltam cascatas

Conduzem inspirações, vidas e sementes.

 

Enxurradas, desregradas, a esmo e sem direção

Abrem valas, varrem histórias em transbordos abissais

Cultivam dramas colossais, tragédias secularmente projetadas

No reboque de florestas, no plantio de cimentos.

 

De gota em gota, da harmonia ao caos!

 
Luciana Lopes
 
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