Monges Abelha e Píton.

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Tradicionalmente, se uma pessoa escolhe a vida de um monge, ela é absolvida dos deveres habituais na sociedade. Na Índia, um monge que busca entender a verdade é apoiado pela comunidade. Também é conhecido como bikshu, mendicante.

Geralmente há dois estilos de vida associado a ser um monge: o da abelha, ou seja, de alguém que anda de um lugar para o outro e que recebe seu alimento a partir de fontes diferentes; e o da píton, ou seja, uma pessoa que se senta em um lugar e aceita qualquer alimento que chega até ele.

Swami Dayananda Saraswati

Tao, o Ser e o não Ser.

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Trinta raios convergem para o meio de uma roda

Mas é o buraco em que vai entrar o eixo que a torna útil.

Molda-se o barro para fazer um vaso;

É o espaço dentro dele que o torna útil.

Fazem-se portas e janelas para um quarto;

São os buracos que o tornam útil.

Por isso, a vantagem do que está lá

Assenta exclusivamente

na utilidade do que lá não está.

Tao Te Ching

Tao, o Caminho.

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Quando um estudioso mais sábio ouve falar no Tao,

Abraça-o com zelo.

Quando um estudioso médio ouve falar no Tao,

Pensa nele de vez em quando.

Quando um estudioso inferior ouve falar no Tao,

Ri-se às gargalhadas.

Se ele não risse

O Tao não seria o Tao (o Caminho).

Tao Te Ching

Temperança, Sabedoria e a Verdade.

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E com os moderados desse tipo, não se passará a mesma coisa, isto é, serem moderados por algum desregramento? E conquanto asseveremos não ser isso possível, é o que se dá, realmente, com a temperança balofa dessa gente. De medo, apenas, de se privarem de certos prazeres por eles cobiçados, quando se abstêm de alguns é porque outros o dominam. E embora chamem intemperança o ser vencido pelos prazeres, o que se dá com todos é que o domínio sobre alguns prazeres se faz à custa de servirem a outros, o que vem a ser muito parecido com o que há pouco declarei, de ser, de algum modo, a intemperança que os deixa temperantes.

(…)

Essa não é a maneira de alcançar a virtude, trocar uns prazeres por outros, tristezas, ou temores por temores de outras espécie, como trocamos em miúdos moeda de maior valor.

Só há uma moeda verdadeira, pela qual tudo isso deva ser trocado: a sabedoria. E só por troca com ela, ou com ela mesma, é que em verdade se compra ou se vende tudo isto: coragem, temperança e justiça, numa palavra, a verdadeira virtude, a par da sabedoria, pouco importando que se lhe associem ou dela se afastem prazeres ou temores e tudo o mais da mesma natureza. Separadas da sabedoria e permutadas entre si, todas elas não são mais do que sombra de virtude, servis em toda a linha e sem nada possuírem de verdadeiro nem são.

A verdade em si consiste, precisamente, na purificação de tudo isso, não passando a temperança, a justiça, a coragem e a própria sabedoria de uma espécie de purificação. É muito provável que os instituidores de nossos mistérios não fossem falhos de merecimento e que desde muitos nos quisessem dar a entender por meio de sua linguagem obscura que a pessoa não iniciada nem purificada, ao chegar ao Hades vai para um lamaçal, ao passo que o iniciado e puro, ao chegar lá passa a morar com os deuses. Porque, como dizem os que tratam dos mistérios: muitos são os portadores de tirso, porém pouquíssimos os verdadeiros inspirados.

Sócrates em Fedão, de Platão.

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Sócrates: E com relação ao seguinte, Símias: afirmaremos ou não que o justo em si mesmo seja alguma coisa?

Símias: Afirmaremos, sem dúvida, por Zeus.

Sócrates: E também o belo em si e o bem? E algum dia já percebeste com os olhos qualquer deles?

Símias: Também.

Sócrates: E algum dia já percebeste com os olhos qualquer deles?

Símias: Nunca.

Sócrates: Ou por intermédio de outro sentido corpóreo? Refiro-me a tudo: grandeza, saúde, força e o mais que for, numa palavra: à essência de tudo o que existe, conforme a natureza de cada coisa. É por intermédio do corpo que percebemos o que neles há de verdadeiro, ou tudo se passará da seguinte maneira: quem de nós ficar em melhores condições de pensar em si mesmo o mais exatamente possível o que se propõe examinar, não é esse que estará mais perto do conhecimento de cada coisa? Ou não?

Símias: Perfeitamente.

Sócrates: E não alcançará semelhante objetivo da maneira mais pura quem se aproximar de cada coisa só com o pensamento, sem arrastar para a reflexão a vista ou qualquer outro sentido, nem associá-los a seu raciocínio, porém valendo-se do pensamento puro, esforçar- se por apreender a realidade de cada coisa em sua maior pureza, apartado, quanto possível, da vista e do ouvido, e, por assim dizer, de todo o corpo, por ser o corpo fator de perturbação para a alma e impedi-la de alcançar a verdade e o pensamento, sempre que a ele se associa? Não será, Símias, esse indivíduo, se houver alguém em tais condições, que alcançara o conhecimento do Ser?

Sócrates em Fedão, de Platão.

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Sócrates: Então, perguntou, quando é que a alma atinge a verdade? É fora de dúvida que, desde o momento em que tenta investigar algo na companhia do corpo, vê se lograda por ele.

Símias: Tens razão.

Sócrates: E não é no pensamento – se tiver de ser de algum modo – que algo da realidade se lhe patenteia?

Símias: Perfeitamente.

Sócrates: Ora, a alma pensa melhor quando não tem nada disso a perturbá-la, nem a vista nem o ouvido, nem dor nem prazer de espécie alguma, e concentrada ao máximo em si mesma, dispensa a companhia do corpo, evitando tanto quanto possível qualquer comércio com ele, e esforça-se por apreender a verdade.

Sócrates em Fedão, de Platão.

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Muitas e muitas vezes em minha vida pregressa, sob formas diferentes me apareceu um sonho, porém dizendo sempre a mesma coisa: Sócrates, me falava, compõe música e a executa. Até agora eu estava convencido de ser justamente o que eu fizera a vida toda o que o sonho me insinuava e concitava a fazer, à maneira de como costumamos estimular os corredores: desse mesmo modo, o sonho me exortava a prosseguir em minha prática habitual, a compor música, por ser a Filosofia a música mais nobre e a ela eu dedicar-me.

Sócrates em Fedão, de Platão.

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Como é extraordinário, senhores, o que os homens denominam prazer, e como se associa admiravelmente com o sofrimento, que passa, aliás, por ser o seu contrário.

Não gostam de ficar juntos no homem; mal alguém persegue e alcança um deles, de regra é obrigado a apanhar o outro, como se ambos, com serem dois, estivessem ligados pela cabeça. (…) Por isso, sempre que alguém alcança um deles, o outro lhe vem no rastro.

Sócrates em Fedão, de Platão.

Antaḥkarāṇa

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Antaḥkarāṇa, o órgão interno, é chamado por quatro diferentes nomes: manas, buddhi, ahaṅkāra e chittam, de acordo com suas distintas funções.

Quando há um movimento de ponderação de prós e contras, isso é chamado manas, pensamento.

Buddhi é a propriedade que determina a veracidade dos objetos.

Ahaṅkāra, o ego, é a identificação com o corpo como sendo o Ser.

Quando acontece uma lembrança, isso é chamado chittam.

Śaṅkarācharya em Vivekachūdāmaṇi, 93-94

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se me perguntarem quem sou,

direi que não sei classificar-me.

não sei definir-me.

sei que sou um eu muito consciente de si próprio.

mas esse eu não é um só. esse eu é um conjunto de eus.

uns que se harmonizam, outros que se contradizem.

por exemplo,

eu sou, numas coisas, muito conservador e,

noutras, muito revolucionário.

eu sou um indivíduo muito voltado para o passado,

muito interessado no presente e muito preocupado com o futuro.

não sei qual dessas preocupações é maior em mim.

mas todas elas como que coexistem

e até me levaram a conceber uma idéia de tempo,

porventura nova: a do tempo tríbio.

a de que o tempo nunca é só passado, nem só presente,

nem só futuro, mas os três simultaneamente.

vivo nesses três tempos simultaneamente.

gosto muito da minha província.

sou sedentário e ao mesmo tempo nômade.

gosto da rotina e gosto da aventura.

gosto dos meus chinelos e gosto de viajar.

Gilberto Freyre

Três passos para a liberdade

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Se quiser me livrar do senso de inadequação, do sentimento de ser insignificante devo, em primeiro lugar, reconhecer que, em termos de corpomente, sou mesmo insignificante, assim como a Terra é insignificante e o sistema solar é insignificante.

Preciso discernir, em primeiro lugar, que sou Ātma, e que Ātma não é o corpomente, embora esteja no corpomente como está em tudo o mais.

Em segundo lugar, devo reconhecer que não preciso “me tornar” completo, pois já sou completo e pleno. Preciso reconhecer que essa é a minha natureza e, portanto, não tenho necessidade de fazer nada para me tornar diferente do que sou em termos de corpomente.

Terceiro, devo-me descondicionar, me limpar das identificações equivocadas com o corpo, a mente, os gostos e aversões.

Swami Dayananda Saraswati

A parábola do Ser e da carruagem

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Imagine o Ser como o senhor de uma carruagem realizando uma jornada. O corpo é a própria carruagem. O discernimento é o cocheiro. A mente, as rédeas.

Os sentidos, dizem os sábios, são os cavalos, as estradas que eles percorrem, os labirintos do desejo. Quando o Ser é confundido com o corpo, a mente e os sentidos, ele parece desfrutar o prazer e sofrer a dor.

Quando falta ao homem discernimento e à sua mente disciplina, os sentidos disparam e tornam-se incontroláveis, como cavalos selvagens.

Porém, quando o homem possui discernimento e uma mente controlada, seus sentidos, como bem treinados cavalos, facilmente respondem ao freio.

Aquele que não tiver discernimento, que não tiver disciplinado sua mente, que não for puro de coração, não alcançará a meta, ficando preso ao ciclo de mortes e renascimentos sucessivos.

Aquele que tiver discernimento, mente disciplinada e pureza interior, alcançará a meta, e nunca mais irá sofrer nas garras da morte.

Aquele que tiver o discernimento por cocheiro e controlar as rédeas de sua mente, alcançará o fim da jornada, a união com o Ilimitado.

Kaṭha Upaniṣad, parte 1, canto 3.

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Há um forte desejo, na maioria de nós, de nos vermos como instrumentos nas mãos de outros para, assim, nos livrarmos da responsabilidade por atos que na verdade são estimulados por nossas próprias inclinações e impulsos questionáveis.

Tanto o forte quanto o fraco agarram essa desculpa. O fraco esconde sua maldade sob a virtude da obediência. O forte reivindica absolvição proclamando-se o instrumento escolhido por um poder superior – Deus, a história, o destino, a nação ou a humanidade.

Similarmente, temos mais confiança naquilo que copiamos do que naquilo que criamos. Não conseguimos produzir uma sensação de absoluta confiança a partir de nada que tenha raiz em nós mesmos.

A mais profunda sensação de insegurança vem do estar sozinho, e não estamos sozinhos quando imitamos. É assim com a maioria de nós: Somos o que as outras pessoas dizem que somos. Nós nos conhecemos principalmente pelo que ouvimos.

Bruce Lee

fonte: O Tao do Jeet Kune Do - blog “Livre de Si”.

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